terça-feira, 6 de junho de 2017

O prazo e o sal

Cum monte salis

Hoje trago ao amável leitor uma historieta bonitinha que cursinhos e faculdadezinhas (pagos e muito bem pagos) jamais lhes contarão.

Reza a lenda que, muitos e muitos séculos atrás, no longínquo e distante mês de maio de 2017, uma agência de traduções afamadíssima, certificadíssima e diplomadíssima enviou a um pobre chela das letras (que também atende pela alcunha de "tradutor"), no ocaso de uma sexta-feira, um projeto de tradução (EN-PT) de 13 mil palavras para ser entregue IMPRETERIVELMENTE (grifo e chave-de-roda necessários) às 15h00 do domingo; do contrário, terríveis maldições e castigos pecuniários se abateriam sobre o lombo do desditoso tradoperário (valei-me, Joyce!).

O valente tradutor, imbuído de insopitável ardor (xi, rimou!), lança-se à ingente tarefa e (vamos encurtar a história), com um sorriso no rosto, entrega o trabalho dentro do prazo dominical pós-prandial, piamente crendo que os responsáveis pelo recebimento do material na agência lá estariam, listos e lestos, às 15h01, para tomar em suas mãos o resultado do árduo labor tradutório.

Ledo (Ivo) engano do tresnoitado e desditoso devoto de São Jerônimo.

Nos albores do dia consagrado pelos pagãos à Lua, chega-lhe à caixa de entrada um aviso automático do serviço de transferência de arquivos (WeTransfer), informando que os denodados controladores de qualidade da agência (cuja atividade conta com a chancela de todos os órgãos certificadores da galáxia e adjacências limítrofes) haviam tido seu primeiro contato com o material (tão pontualmente entregue na véspera) ÀS QUATRO HORAS E CINQÜENTA E QUATRO MINUTOS DA MADRUGADA).

Moral da história: sempre tomem os "prazos finais e impreteríveis" exigidos pelas agências não com um grão de sal, mas com uma salina potiguar inteira.

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